• Paroquia Santo antonio

Formação Paroquial Mensal (Abril 2021)

A RESSURREIÇÃO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA


Frei Mário Sérgio, ofmcap




Fonte: CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Artigo 5º, parágrafo 2º (nº. 638-658) e Artigo 11 (nº. 988-1019). (Estilo: fichamento).


ILUMINAÇÃO BÍBLICA: Anunciamos-vos a Boa-Nova: a promessa, feita a nossos pais,

Deus a realizou plenamente para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus (At 13, 32-33).


AFIRMAÇÃO CENTRAL: A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé em Cristo, crida e vivida como verdade central pela primeira comunidade cristã, transmitida como fundamental pela Tradição, estabelecida pelos documentos do Novo Testamento, pregada, juntamente com a Cruz, como parte essencial do Mistério Pascal. (638)


I - O EVENTO HISTÓRICO E TRANSCENDENTE


ACONTECIMENTO REAL: O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Já São Paulo escrevia aos Coríntios pelo ano de 56: "Eu vos transmiti... o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze" (1Cor 15,3-4). O apóstolo fala aqui da viva tradição da Ressurreição, que ficou conhecendo após sua conversão às portas de Damasco (639).


TÚMULO VAZIO: "Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não esta aqui;

ressuscitou" (Lc 24,5-6). No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento com que se depara é o sepulcro vazio. Ele não constitui em si uma prova direta. (...) o sepulcro vazio constitui para todos um sinal essencial. Sua descoberta pelos discípulos foi o primeiro passo para o reconhecimento do próprio fato da Ressurreição (640).


AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO:


1. Maria de Mágdala e as santas mulheres (...) foram as primeiras a encontrar o

Ressuscitado. (...) as primeiras mensageiras da Ressurreição de Cristo para os próprios

apóstolos. (641)

2. Tudo o que aconteceu nesses dias pascais convoca todos os apóstolos, de modo

particular Pedro, para a construção da era nova que começou na manhã de Páscoa.

Como testemunhas do Ressuscitado, são eles as pedras de fundação de sua Igreja. (642)

3. Diante desses testemunhos é impossível interpretar a Ressurreição de Cristo fora da

ordem física e não reconhecê-la como um fato histórico. Os fatos mostram que a fé dos

discípulos foi submetida à prova radical da paixão e morte na cruz de seu Mestre,

anunciada antecipadamente por Ele. O abalo provocado pela Paixão foi tão grande que

os discípulos (pelo menos alguns deles) não creram de imediato na notícia da

ressurreição. (643)

4. (...) a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um "produto" da fé (ou da

credulidade) dos apóstolos carece de consistência. Muito pelo contrário, a fé que tinham

na Ressurreição nasceu - sob a ação da graça divina - da experiência direta da realidade

de Jesus ressuscitado. (644)


O ESTADO DA HUMANIDADE RESSUSCITADA DE CRISTO:


1. Jesus ressuscitado estabelece com seus discípulos relações diretas, em que estes o apalpam e com Ele comem. Convida-os, com isso, a reconhecer que Ele não é um espírito, mas sobretudo a constatar que o corpo ressuscitado com o qual Ele se apresenta a eles é o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois ainda traz as marcas de sua Paixão. (645)

2. Contudo, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas de um corpo glorioso: não está mais situado no espaço e no tempo, mas pode tornar-se presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa à terra, mas já pertence exclusivamente ao domínio divino do Pai.

3. A Ressurreição de Cristo não constituiu uma volta à vida terrestre, como foi o caso das ressurreições que Ele havia realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. (...) Em determinado momento, voltariam a morrer. A Ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. Em seu corpo ressuscitado, Ele passa de um estado de morte para outra vida, para além do tempo e do espaço. (646)


A RESSURREIÇÃO COMO ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE: Como evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história. (647)


II – A RESSURREIÇÃO – OBRA DA SANTÍSSIMA TRINDADE


A Ressurreição de Cristo é objeto de fé enquanto intervenção transcendente do próprio Deus na criação e na história. Nela, as três Pessoas Divinas agem ao mesmo tempo, juntas, e

manifestam sua originalidade própria. (648)


III. SENTIDO E ALCANCE SALVÍFICO DA RESSURREIÇÃO


  • "Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé" (1Cor 15,14). A Ressurreição constitui antes de mais nada a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. (651)

  • A Ressurreição de Cristo é cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus durante sua vida terrestre. A expressão "segundo as Escrituras" indica que a Ressurreição de Cristo realiza essas predições. (652)

  • A verdade da divindade de Jesus é confirmada por sua Ressurreição. (653)

  • Há um duplo aspecto no Mistério Pascal: por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. (654)

  • Finalmente, a Ressurreição de Cristo - e o próprio Cristo ressuscitado - é princípio e fonte de nossa ressurreição futura: "Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida" (1Cor 15,20-22). Na expectativa desta realização, Cristo ressuscitado vive no coração de seus fiéis (655).

ARTIGO 11

CREIO NA RESURREIÇÃO DA CARNE (pg.279)


  • CREDO: O Credo cristão culmina na proclamação da ressurreição dos mortos, no fim dos tempos e na vida eterna (988).

  • PROMESSA: Cremos firmemente (...) depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia. Como a ressurreição de Cristo, também a nossa será obra da Santíssima Trindade (989): Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos dará vida também aos vossos corpos mortais, mediante o seu Espírito que habita em vós (Rm 8,11).

  • CARNE: O termo "carne" designa o homem em sua condição de fraqueza e de mortalidade. A "ressurreição da carne" significa que após a morte não haverá somente a vida da alma imortal, mas que mesmo os nossos "corpos mortais" (Rm 8,11) readquirirão vida. (990)


I. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A NOSSA REVELAÇÃO PROGRESSIVA DA

RESSURREIÇÃO


  • A ressurreição dos mortos foi revelada progressivamente por Deus a seu povo. A esperança na ressurreição c corporal dos mortos foi-se impondo corno uma consequência intrínseca da fé em um Deus criador do homem inteiro, alma e corpo (992).  Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: "Eu sou a ressurreição e a vida" (Jo 11,25). É Jesus mesmo quem, no último dia, há de ressuscitar os que nele tiveram crido e que tiverem comido seu corpo e bebido seu sangue (994).

  • Ser testemunha de Cristo é ser "testemunha de sua ressurreição" (At 1,22), "ter comido e bebido com Ele após sua ressurreição dentre os mortos" (At 10,41). A esperança cristã na ressurreição está toda marcada pelos encontros com Cristo ressuscitado (995).

DE QUE MANEIRA OS MORTOS RESSUSCITAM?


  • QUE É "RESSUSCITAR"? Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus (997).

  • QUEM RESSUSCITARÁ ? Todos os homens que morreram: "Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,29) (998)

  • DE QUE MANEIRA? Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, “nele ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora"; porém, este corpo será "transfigurado em corpo de glória", em "corpo espiritual" (1Cor 15, 44) (999).

  • QUANDO? Definitivamente "no último dia" (Jo 6,39-40.44-54); "no fim do mundo". Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo (1001).

  • Para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo, é preciso "deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor" (2 Cor 5,8). Nesta "partida" que é a morte, a alma é separada do corpo. Ela será reunida a seu corpo no dia da ressurreição dos mortos (1005).

A MORTE

  • "É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto." Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade "salário do pecado" (Rm 6,23). E, para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua Ressurreição. (1006)

  • A morte é o termo da vida terrestre. (...) Este aspecto da morte marca nossas vidas com um caráter de urgência: a lembrança de nossa mortalidade serve também para recordarnos de que temos um tempo limitado para realizar nossa vida (1007).

  • A morte é transformada por Cristo. Jesus, o Filho de Deus sofreu também Ele a morte, própria da condição humana. Todavia, apesar de seu pavor diante dela, assumiu-a em um ato de submissão total e livre à vontade de seu Pai. A obediência de Jesus transformou a maldição da morte em bênção (1009).

O SENTIDO DA MORTE CRISTÃ

  • Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1,21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos" (2Tm 1,11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, cristão já está sacramentalmente "morto com Cristo", para Viver de uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este "morrer com Cristo" e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor (1010).

  • Na morte, Deus chama o homem a si. É por isso que o cristão pode sentir, em relação à morte, um desejo semelhante ao de São Paulo: "O meu desejo é partir e ir estar com Cristo" (Fl 1,23); e pode transformar sua própria morte em um ato de obediência e de amor ao Pai, a exemplo de Cristo (1011).

  • A visão cristã da morte é expressa de forma privilegiada na liturgia da Igreja: Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível (1012).

  • Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. "Os homens devem morrer uma só vez" (Hb 9,27). Não existe "reencarnação" depois da morte (1013).

  • A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte ("Livra-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista": antiga ladainha de todos os santos, a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós "na hora de nossa morte" (oração da "Ave-Maria") e a entregar-nos a São José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? (1014)

  • SÃO FRANCISCO DE ASSIS: Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.


Feira de Santana, 13 de abril de 2021

Frades Menores Capuchinhos da Bahia e Sergipe

13 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo